sábado, 19 de maio de 2012

“Tudo que você precisa é de um zafu e alguma coragem”

“o zazen é uma questão de esforço correto, o esforço de ir em direção à verdade, destruindo tudo o que produziu em sua cabeça, porque é falso, apenas ilusões tantas. Destruí-los com zazen, com o sopro que os níveis de todos. E não desanime quando as
inlusões voltar essa é a condição humana”.

domingo, 13 de maio de 2012

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Primavera



Dogen ZenjiTradução de José Fonseca


"Quando uma flor desabrocha, cinco folhas começam a crescer. Isto é tempo real, naturalmente."Grande Mestre Bodidarma, iniciador da transmissão do Zen, compôs este verso. Se quiserem saber seu significado, vão ao momento em que a flor floresce. O tempo da flor é o tempo das cinco folhas. O princípio de "uma flor e cinco folhas" vem da afirmação de Bodidarma, "Vim à China transmitir o Caminho budista para salvar toda gente que sofre de ilusão."
"Dar fruto" significa dar fruto noutras pessoas - deve ser esta nossa atividade natural. A prática (causa) é universal e dar fruto (efeito) também é universal. "Natural" é igual a "eu"; "eu mesmo" é igual a "você mesmo". Isto é, quando nosso "eu" é o Eu verdadeiro, então nosso eu não é nosso nem de ninguém - é os quatro elementos e os cinco skandas, agregados. É mui no shinjin, "o Eu verdadeiro que transcende nome e forma e vai além de toda dualidade". Este é o "natural" de "tempo natural" e
é o tempo de transmissão e o tempo de salvar todos os seres sencientes.
É como, por exemplo, uma flor de lótus azul brotando no calor dos trópicos. Não houvesse lugar para esta flor desabrochar, não poderia haver estrela da manhã para levar Sakiamuni à iluminação. O importante é que há inúmeros lótus azuis na luz de uma estrela que brilha pelo universo, tanto no passado como no presente. Se você experimentar o calor tropical, com certeza experienciará o lótus azul.
Outro patriarca antigo disse, "Um lótus azul desabrocha numa fogueira". É preciso saber quando e como este lótus brota. Para tanto, corte fora a cognição, a consciência e os juízos de valor particulares. Se duvidar da existência deste lótus azul, você duvidará também da existência de um lótus na água, ou de uma flor no galho, ou até de terras, montanhas e rios.
Quem não atingir o nível dos patriarcas não perceberá que quando uma flor desabrocha a primavera vem, e cobre o mundo inteiro. Quando a flor desponta não brota só uma pétala, mas a flor inteira. E quando brota uma flor inúmeras flores desabrocham ao mesmo tempo. Quem entender este princípio saberá como vem o outono. Porém, precisamos deixar bem claro não apenas o significado de primavera e outono com suas flores e frutas mas estudar também nossas próprias flores e frutas.
Flores e frutas possuem o seu mundo de tempo próprio, e vice-versa, o mundo de tempo possui suas próprias frutas e flores. Cada tipo de capim tem sua própria flor. E se imaginarmos seres humanos como árvores, cada árvore tem sua própria flor, especial.
São as flores kuge, da ilusão, do vazio. Usando cognição para olhar, nunca será capaz de perceber a cor verdadeira dessa flor porque você só percebe a forma externa dela, não a essência no vazio da flor. Esta visão é limitadíssima.
Só o budismo interpreta assim Kuge "flores no céu", não as doutrinas dos incréus. Não é possível para quem não crê, experienciar `kuge. Só budas e patriarcas percebem, experienciam o desabrochar e o fenecer de kuge pelo universo afora. Temos de nos ater a este molde no caminho budista - kuge universal.
Certa vez Sakiamuni disse, "Se o olho está doente a visão da gente falha e vê-se uma flor no céu. Esta flor é kuge." Segundo uma interpretação, "olho doente" aqui significa um ponto de vista invertido; consequentemente a flor surge deformada. Se isto não for esclarecido uma flor pode ser vista onde não existe flor. Se o mal do olho for curado kuge não pode mais ser visto.
É realmente deplorável que tanta gente não conheça o significado e as circunstâncias de kuge "a flor do vazio". Ela não pode ser entendida por gente simples e incréus mas budas sempre se esforçam para clarificar kuge. Sakiamuni segurando uma flor sem dizer nada e o sorriso de Maakasiapa foi comunicação de mente a mente, realizada vendo kuge com a visão restaurada. Kuge existe em Olho e Tesouro da Vera Lei e em Mente Serena de Nirvana. Nunca cessa, de patriarca a patriarca, iluminação, nirvana, realidade, toda nossa vera natureza, tudo é pétalas de kuge.
Sakiamuni disse também que "A compreensão dos relacionamentos", como entre nirvana e realidade e existência... "é como ter curado o mal do olho. Kuge desaparece."
A maioria dos padres não sabe o significado real de kuge e é incapaz de dizer o que ou quem tem mal do olho.
Quando observamos o significado real de kuge a flor no céu desaparece. Inaianistas pensam, Assim que a flor desaparece não há mais nada no céu. Se kuge não pode ser visto, o que existe? Eles acham que kuge deve ser abandonado, não captam seu significado profundo. Budas semeiam sementes do Caminho Budista entre as pessoas e a iluminação com a prática fazem-nas crescer e multiplicar em liberdade, bem como kuge semeia a semente do vazio universal. Porém, a maioria dos estudantes acha que onde há espaço é só céu. Eles imaginam kuge como uma nuvem no céu claro, soprada a leste e oeste, para cima e para baixo, pelo vento. Jamais se dão conta de que os quatro elementos, terra, montanhas, rios, tudo de fato no mundo é kuge. É pena, a maioria dos estudantes não pode olhar além do mundo dos fenômenos. Para eles kuge existe por causa do mal de olho; não compreendem que é exatamente o contrário.
No verdadeiro Budismo "quem tem mal de olho" é um iluminado, um buda perfeito, que foi além da iluminação. Há gente que pensa que existe outra forma de verdade além desta. Não está certo. Ainda assim, às vezes alguém vê uma flor por doença de olho. Porque busca iluminação sem entender que a própria doença é a raiz da iluminação.
Se compreendemos a condição de "mal de olho" podemos compreender kuge e nos separar de ambos. Vendo-os com funções de realidade, como condições absolutas. Além disso, toda condição universo afora expressa sua verdade própria - nada tem de inútil nem supérfluo e é hamonioso e completo. Mal de olho e kuge são assim. Eles não querem saber de passado, presente ou futuro; nem de começo, meio ou fim. São independentes de geração e destruição, apesar de vida e morte aparecer em todos os cantos do universo
Há diversos métodos de estudo do kuge: pelo mal de olho; pela observação com o olho da Mente; pela visão de Buda; pela visão do Patriarca; pela vista do Caminho; pelo olho da iluminação; pela visão de três mil anos; pela visão de 800 anos; por visão eterna; e por visão ilimitada. A flor é a multiplicidade de formas de existência e o vazio é a essência impregnando cada forma. Cada forma individual de vazio pode ser vista ao cabo de uma única flor. Vazio universal desabrocha como uma flor.
Saibamos que o céu é só uma folha de capim cuja flor desabrocha no espaço. É como as flores dos cem capins em flor. "Originalmente não havia flores no céu." No início, no Caminho do Tatagata não havia flores mas agora há, de pêssego, ameixas e chorões. Temos o dito, "Amanhã, nada de botões de ameixa; eles devem esperar a primavera." Quando chega a primavera é certo que as árvores florescem. É o tempo da flor, sua plenitude. Temos de nos dar conta de que tudo tem seu tempo certo de fruição. Este tempo é inalterável. Sempre brotarão ameixas, brotarão pêssegos, brotarão capins, sem confusão. Da mesma forma, a flor do vazio jamais pode ser confundida ou alterada.
Depois de observar as diferentes cores de kuge você compreende que o vazio dá frutos de variedade infinita. Estude a primavera e o outono de kuge depois de ver as flores desabrochar e fenecer. Se achar, no entanto, que kuge não é uma flor de verdade, sua compreensão de budismo é limitada. Se você ouvir as palavras de Sakiamuni e pensar que existe um kuge agora que antes não existiu, então falta-lhe conhecimento e é preciso ir mais fundo no significado disso.
Certa vez um patriarca disse, "Nunca uma flor cresceu até agora." Isso quer dizer que não há nascimento ou destruição, portanto não há flor, isto é, essência agregável. Não perca tempo com argumento inútil nem se apegue à relação do tempo com a flor. Flores tem tons diversos , mas só cor não descreve bem a forma de uma flor. Não são somente as flores mas cada um e todos os momentos têm cores como azul, amarelo, vermelho ou branco. A primavera traz as flores, as flores trazem a primavera. Não há oposição entre elas.
Chokutsu (Chang-cho, 824) famoso pela mente brilhante discípulo leigo de Sekiso (Shishuang, f.888) compôs os seguintes versos sobre sua iluminação:
"A divina e funda luz / imbui todos os cantos." Esta luz está pelo mosteiro, o Salão de Buda, os prédios administrativos, os portões principais. Divina luz, sem limite, continuamente faz-se a si mesma em todo lado.
"Tanto pessoas comuns quanto santos / vivem na sua própria casa." Não quer dizer que gente comum e santos não têm diferença; quer dizer que é preciso não condenar os diferentes tipos de gente. Se sua mais profunda resolução baseia-se na mente búdica você atingirá a iluminação. Toda intenção religiosa deve ser parte da mente búdica; daí virá a compreensão da verdade como ela é. Nossas intenções religiosas devem se basear no âmago de nossa consciência, no nível mais profundo. Se a consciência é ativada, nuvens (de ilusões) surgem.
"Se há falha de percepção nos seis órgãos dos sentidos, não vê-se claramente a realidade." Os seis órgãos dos sentidos são olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente. Como nuvens de chuva contornando o Monte Sumeru, eles não desempenham funções separadas mas atuam juntos, o inamomível e o temporal em fluida harmonia.
"Mesmo se se cortam as paixões ainda sofremos do mal." Uma doença fora do comum, doença de budas e patriarcas. Quando se cortam as paixões a doença aumenta. Assim as ilusões e o desapego coexistem, e aquelas podem cessar por si só as próprias atividades.
"É errado negar ou afirmar a verdade." Virar as costas ou faltar com a verdade é malicioso, embora até em tais ações possa-se encontrar verdade. Quem pode imaginar a relação entre malícia e verdade?
"Entre toda relação há desapego." Interrelações produzem continuamente outras relações harmônicas. Isso é desapego. Apego e desapego devem funcionar juntos livremente vida afora.
"Nirvana e Samsara são flores do vazio. "Nirvana precisa ser atingido por todos os budas, patriarcas e discípulos. Vida e morte são o verdadeiro corpo do homem. Todas as raízes, haste, ramos, folhas, flores, frutos e forma de cada flor são todos kuge. Kuge produz seu fruto do vazio e planta sua semente no céu (do vazio universal). Como os três mundos são uma pétala de kuge que desabrocha eles não são diferentes. Kuge é a verdadeira forma de todos os fenômenos; a verdadeira forma de uma flor de ameixa, chorão, ou pêssego.
Quando Mestre Zen Reikum (Ling-hsun) de Monte Fuyo visitou Mestre Zen Shishin (Chi-chen) de Kishuji pela primeira vez ele perguntou, "Com o que o Buda se parece?" "Se eu responder você acredita?", disse Shishin. "Por que não haveria eu de crer?", Reikin perguntou. "É você," respondeu o mestre. "O que devo fazer?" quis saber Reikun. "Se sua visão é ruim você perde a verdadeira forma de kuge," Shishin lhe disse.
Shishin está dizendo para tornarmos nosso o nível de realização do Buda. Isto é realizar a visão de Buda. Todos os budas compreendem isso - é o Olho e Tesouro da Vera Lei. Kuge se realiza nos nossos olhos e vice-versa. Se nossa visão é através de kuge podemos ver as coisas como elas realmente são. Podemos ver kuge pelo mundo inteiro - no céu, em flores, nos nossos olhos e corpo.
A expressão "flor no céu"deve ser esclarecida. Grande Mestre Kosho (Kuang-chao) de Monte Roya disse, "Ainda que profunda e misteriosa, todos os budas do mundo observam a flor no céu. Para ver esta flor você precisa ter a mesma compreensão dos budas. Se fizer isto perceberá os budas do passado. Se não, hinaianistas e pratiekabudas vão gostar muito." Cuide para não pensar que os budas são reais - de fato eles são flores no céu." Todos os budas vivem aqui; não há outro lugar para viver. Kuge não é ser nem não-ser, vazio ou forma; é a manifestação de todos os budas. Saiba que, entendendo isto ou não, kuge existe. Talvez os estudiosos de sutras ou do abidarma ouçam falar de "kuge" mas apenas budas e patriarcas têm com ele um relacionamento apropriado: a essência do budismo se revela tanto em kuge como numa flor que nasce na terra.
Mestre Zen Etetsu (Shi-men) de Monte Sekimon, que viveu na Dinastia Sung e pertenceu à linhagem de Ryozan, foi um excelente mestre. Certa vez um monge lhe perguntou, "Com o que um tesouro escondido na montanha se parece? (Isto é, "Com o que o Buda se parece?" ou "Com o que o Caminho se parece?") Sekimon respondeu, "Kuge saiu da terra. Todo mundo quer tê-lo mas não há portão de entrada." Sua resposta é incomparável. A interpretação corrente é que kuge apenas cresce no vazio. E se ninguém sabe como ele cresce no vazio haverá alguém que saiba como ele cresce na terra? Talvez só Sekimon saiba. "Da terra" inclui todos os estágios de crescimento - começo, meio e fim. Kuge cresce e desabrocha pelo mundo afora. Mas se você quiser tê-lo não tem onde ir. Há um kuge que sai da terra e uma terra na qual kuge desabrocha. O ponto mais importante é: kuge dá frutos na terra como no céu.


Dito aos monges de Koshoji, em Kanondori, em 10 de maio de 1243. Recopiado por Ejo em 27 de janeiro de 1244, nos aposentos do primeiro discípulo em Kipoji; novamente recopiado em 28 de agosto de 1318, no Enjudo de Eiheiji.


(Capítulo 14 do Shobogenzo , Olho e Tesouro da Verdadeira Lei, edição traduzida por Kosen Nishiyama, Tokyo, 1988

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Oficina de pães no Centro Zen do Recife


Centro Zen do Recife
Oficina de Pães: Colocando a mão na massa para aprender e ajudar!
No próximo dia 24 de setembro (sábado), o Seirenji – Centro Zen do Recife promove o primeiro módulo da Oficina de Pães, ministrado pela Professora de Yoga e de Alimentação Natural Lurdinha Siqueira.


Das 9h às 12h, os participantes vão aprender uma receita de pão caseiro e algumas variações. O custo é de R$ 35, com todo o material incluso.


As inscrições podem ser feitas pelos telefones 3423-2079 e 3221-0909, até o dia 19 de setembro. As vagas são limitadas.


A Oficina de Pães é uma ação com intuito de incentivar o aprendizado de trabalhos manuais e ainda auxiliar a manutenção do Seirenji.


Aprender a lidar com o preparo do seu alimento é também aprender a lidar consigo mesmo.


Oficina de Pães
Módulo I: pão caseiro básico e variações
Data: 24 de setembro de 2011
Horário: das 9h às 12h
Local: Seirenji, Rua Dom Carlos Coelho, 45, ap.101, Boa Vista, Recife (veja mapa)
Preço: R$35
Inscrição e informações: 3423-2079 / 3221-0909